A ver passar os comboios

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 23 Janeiro 2019
A ver passar os comboios
  • José Policarpo

 

 

Soubemos a semana passada que o governo fez publicar em Diário da república a decisão que recai sobre a construção da ligação ferroviária do subtroço Évora Norte e Elvas/ Caia, que fará o abraçamento da cidade de Évora. Este subtroço integra a ligação ferroviária Sines/Caia, que servirá o transporte de mercadorias.

A ligação ferroviária do porto de Sines é estratégica e fundamental para economia portuguesa. Penso também que é matéria que, não gera discordâncias de maior, no seio da comunidade politica. Os que acompanham estas matérias, mesmo que seja ao de leve, sabem que o porto de Sines é o maior de águas profundas do país e um dos maiores da península ibérica. Por isso, dá grande capacidade de resposta às exigências dos grandes navios de carga.

Na verdade, esta ligação ferroviária é de grande importância para o país, porque o ligará com o resto da europa. Porém, e, segundo o que se conhece, não beneficiará em nada a cidade e o concelho de Évora. Há bairros da cidade localizados a nascente, que ficarão desligados da cidade com o atravessamento deste troço da ligação ferroviária que utilizará o antigo ramal de Reguengos de Monsaraz.

Por outro lado, as necessidades das empresas e, não só, com instalações na zona industrial de Évora, não serão servidas pelo traçado escolhido. É pública a exigência do núcleo empresarial da região de Évora. Para além de outros aspetos, reivindica a existência de um ramal para a recolha de mercadorias produzidas na zona industrial de Évora. A solução escolhida pelo governo não prevê esta solução.

Ora, a escolha que recaiu sobre o designado corredor 2, subtroço Évora nascente/Elvas Caia, não serve a polução de Évora, nem as empresas que aqui estão sedeadas. Por isso, é uma infra-estrutura que beneficiará o país e que podia também beneficiar Évora e o seu concelho. Mas não é isso que acontecerá, Évora e o seu concelho ficarão fora desta equação. É uma opção política do atual governo que o vincula, mas a Câmara Municipal podia e devia ter feito muito mais. Há um autor material e vários autores morais.