A verdade que ninguém quer ouvir!

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 03 Fevereiro 2021
A verdade que ninguém quer ouvir!
  • José Policarpo

 

 

Não aprendemos nada, absolutamente nada com a presença da Troika no nosso país. Os representantes das instituições que constituíram a TROIKA, que aqui chegaram e a nosso pedido, disseram, em síntese, que não podíamos gastar mais do que aquilo que produzimos. Por isso, as contas públicas, das empresas e das famílias, deviam refletir essa premissa, sob pena do dinheiro não chegar a parte nenhuma.

Na verdade, bastou algum crescimento económico e isto está balizado no tempo, concretizou-se nos anos dourados impulsionado pelo turismo exterior, de 2015 a 2019, o poder político que nos governa prometera tudo a todos. Nada era impossível. Direitos e mais direitos. Contudo, assolou-nos a pandemia e o sonho dourado virou pesadelo e que pesadelo.

Ora, a sociedade portuguesa não deve queixar-se se não de si própria. Aliás, como é nosso apanágio e a sabedoria popular há muito que o dita: enquanto o pau vai e vem, folgam as costas. Só, como sempre, e o mesmo povo, dita, igualmente: que não há almoços grátis. Por isso, quando o país não se reforma e não poupa em tempo de abundância, os tempos de crise e de dificuldades, tornam-se mais penosos e com um fim demorado.

A pandemia, entre outras debilidades ligadas aos serviços públicos, trouxe a “nu” as fragilidades do serviço nacional de saúde: a falta de equipamentos e a falta de recursos humanos. Para cumprir o “dar tudo a todos”, o poder político às escondidas dos menos informados, desinvestira como nunca no sector da saúde. Está situação está quantificada em muitos milhões de euros a menos. E a consequência disto, é a diminuição dos cuidados de saúde aos chamados não covid: adiamentos de muitos atos médicos (consultas, diagnósticos e cirurgias).

Por conseguinte, as muitas vozes que se queixam e que se indignam em tempo de crise, vêm fora de tempo. Porque tudo isto era expectável. Para podermos ter um país mais preparado para dar respostas em tempos difíceis, teremos de ser mais exigentes em tempos favoráveis. Senão, o nosso fado será o resultado presente e as “cigarras continuam a vencer as formigas”.

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