A vergonha das vergonhas

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 18 Dezembro 2019
A vergonha das vergonhas
  • José Policarpo

 

 

O acontecimento político mais zurzido na semana passada foi a censura à palavra “Vergonha” feita pelo presidente da assembleia da república, o socialista Ferro Rodrigues. O presidente da assembleia da república é a segunda figura do Estado português e a ele cabe representar os deputados que, são os representantes eleitos, pelo povo português. Não é um dever menor, por isso, esta figura do Estado português tem deveres e não direitos acrescidos.

O parlamento dos representantes do povo é um local onde a discussão e o contraditório são exercidos por natureza. A limitação do exercício da liberdade de expressão de um parlamentar só deverá ocorrer em circunstâncias muito, muito próprias. Naquelas circunstâncias onde o bom nome e a reputação das pessoas possam estar em causa.

Na verdade, a utilização do adjetivo vergonha no parlamento para classificar uma atuação de um qualquer governo, faz parte da linguagem parlamentar há muito utilizada. Haja, por isso, o primeiro a atirar a primeira pedra…

Ora, o episódio verificado na última semana no parlamento português praticado pelo presidente da assembleia da república que proibiu um deputado de proferir a palavra vergonha, não enfraquece o emissor de tal palavra. Pelo contrário, descredibiliza, isso sim, o censor.

Consequentemente há uma questão que deve ser levantada: Quem pensa assim, é credor do respeito institucional que detém? Tenho muitas dúvidas disso. Mas, também, não posso esquecer-me que fora eleito com uma larga maioria dos deputados…

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