Abril no Parlamento

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 20 Abril 2020
Abril no Parlamento
  • Alberto Magalhães

 

 

A Assembleia da República, não sendo demasiado afamada entre os portugueses (mercê sobretudo de uma lei eleitoral que já deveria ter sido mudada há décadas), é, no entanto, o principal pilar do nosso Estado democrático. A celebração do 25 de Abril no Parlamento sempre causou alguns engulhos a algumas pessoas. Este ano, em pleno confinamento, essas pessoas julgam ter encontrado o contexto ideal para se opor à cerimónia.

“Vão juntar-se, quando nós comemorámos a Páscoa trancados e separados”, “os funerais estão proibidos, mas ‘eles’ permitem-se festas”, são dois dos exemplos do veneno que corre nas redes sociais. André Ventura, pede, cinicamente, ao Presidente da AR que cancele o evento para “salvar a credibilidade dos políticos, do sistema político e da instituição parlamentar”, e o líder do CDS recusa o convite para estar presente e diz que o CDS se fará representar por um deputado apenas. Paulo Portas, ontem, juntou-se ao coro, com uma proposta bizarra. Disse ele que os portugueses compreenderiam se houvesse “apenas um discurso do Presidente da República, por via digital”.

Errado! Eu não compreenderia que, estando o Parlamento a funcionar, embora com um número reduzido de deputados no plenário, precisamente no dia 25 de Abril fechasse para confinamento. No entanto, percebo muito bem a necessidade absoluta da Assembleia da República não dar maus exemplos. Espero por isso que todas, mas todas, as recomendações e proibições das autoridades sejam respeitadas, antes, durante e depois da cerimónia, sem excepções.

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