Acção climática viabiliza aeroporto no Montijo

Sexta-feira, 01 Novembro 2019
Acção climática viabiliza aeroporto no Montijo

 

 

Será demais pedir-se um módico de coerência e racionalidade nas decisões públicas? Repare-se nos seguintes factos: o aeroporto de Lisboa está dentro da cidade e a abarrotar pelas costuras, constituindo um risco ambiental e de segurança; entre 1970 e 1999 fizeram-se cinco estudos para escolher o local para um novo aeroporto, ficando, em todos eles, Rio Frio, no concelho de Palmela, em primeiro lugar; em 1999, a hipótese Rio Frio foi abandonada por causar “graves prejuízos ambientais”; apontou-se depois para a Ota, em Alenquer, para logo ser abandonada (e bem); seguiu-se Alcochete, que se eclipsou no reinado da Troika e Passos Coelho.

Com António Costa, surge a combinação Portela & Montijo, o que significa a continuação do perigoso e pouco extensível Aeroporto Humberto Delgado complementado com um mini-aeroporto, encostado à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo, onde nidificam milhares e milhares de aves. Surpreendentemente, o Instituto da Conservação da Natureza acha bem e a Agência Portuguesa do Ambiente diz que tudo se resolve com umas adaptações orçadas em 40 milhões de euros, que a ANA terá de despender. A empresa já começou a queixar-se. Mas quem ganha com a opção tomada se não a ANA?

Os graves prejuízos ambientais encontrados em Rio Frio, serão maiores ou menores que os desta solução contra-natura? Segundo o Plano de Adaptação às Alterações Climáticas da Área Metropolitana de Lisboa, a freguesia do Montijo é uma das que apresenta maior vulnerabilidade actual e futura a inundações. Mas não nos devemos preocupar, com a enérgica Acção Climática do governo, o mar e o Tejo não passarão.

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