Accountability

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 26 Outubro 2018
Accountability
  • Rui Mendes

Esta semana foi apresentado o segundo volume das memórias do ex-Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, tendo a comunicação social dado devido espaço ao acontecimento.

Os comentários têm sido muitos, porque alguns preferiam que não se lembrem os portugueses do contexto que vivemos, como aparece a actual solução governativa e o que o anterior Presidente da República pensa sobre os anteriores e actuais governantes.

António Costa é tido como “um hábil profissional da política de tendor taticista, um artista da arte de nunca dizer não.”

Será esta uma precisa descrição do actual primeiro-ministro.

Foi assim que o observámos quando o país ardia, foi assim que o vimos quando se promovem reuniões com os diferentes representantes das classes profissionais apenas para se dizer que se está a negociar, foi assim que o vimos quando dá a cara por um ministro e logo no minuto seguinte o demite, é assim que o vemos na actividade governativa.

Concorde-se ou não com a forma ou momento em que Cavaco Silva divulga esta informação, o que este está a fazer é prestar contas perante aqueles que representou, ou seja, perante o povo português, explicando o que o preocupou e o que esteve na origem das suas decisões, pelo que está praticando o que os ingleses chamam de Accountability.

O anterior Governo teve a difícil tarefa de ter de cumprir o programa de ajustamento 2011-2014

Estamos bem recordados das metas que era necessário atingir e, em consequência, das medidas que tiveram de ser aplicadas na politica orçamental, na regulação e supervisão do sector financeiro, na reforma da gestão das finanças públicas, nas parcerias público-privadas, no sector empresarial do Estado, nas privatizações, na administração fiscal, na administração pública, na saúde, no mercado de trabalho, na educação, na energia, nas telecomunicações e serviços postais, nos transportes, no mercado de habitação e arrendamento, na justiça, na concorrência e regulação, na contratação pública e nos licenciamentos.

Claro que terá havido discordâncias em algumas das medidas tomadas. Fácil seria não as ter de tomar. O difícil foi ter que tomá-las.

O actual Governo não é nem foi o salvador da pátria, antes limitou-se a gerir o contexto favorável e a beneficiar dos resultados das políticas mais restritivas aplicadas pelo Governo chefiado por Passos Coelho.

Este Governo vai sobrevivendo gerindo cedências, criando expectativas e prometendo o que sabe que não terá condições de cumprir.

Razão porque tantos grupos profissionais perderam a confiança nos que nos governam (ontem as forças de segurança manifestaram-se, hoje a administração pública está em greve), razão porque a economia do país não cresce ao ritmo dos nossos concorrentes.

Quando chegarmos ao final do próximo ano, e olharmos para o que foram os resultados destes 4 anos de Governação, veremos que teremos dificuldade em identificar resultados que sejam apenas deste Governo.

E aí teremos que dar razão ao que preocupou em 2015 Cavaco Silva.

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