Acordo de May arrasado no Comuns

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 16 Janeiro 2019
Acordo de May arrasado no Comuns
  • Alberto Magalhães

 

Se o chumbo do acordo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia era previsível, a expressão da sua rejeição ultrapassou ontem todas as expectativas. Os 432 votos contra e 202 a favor, ou seja, os 230 votos de diferença, dão bem a medida da derrota esmagadora de Theresa May, a maior derrota de sempre de um governo na Câmara dos Comuns.

Desafiado pela primeira-ministra, Jeremy Corbyn, líder da oposição, avançou finalmente com a prometida moção de censura, que será votada hoje mas dificilmente aprovada, já que os 118 deputados conservadores que ontem se revoltaram contra o seu governo, dificilmente estarão dispostos a provocar a sua queda e eleições antecipadas.

O que é certo é que a caixa de Pandora aberta por David Cameron, ao convocar um referendo sobre a continuidade da participação do Reino Unido na União Europeia, continua a manter sobre todo o processo um máximo de imprevisibilidade. Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, tentou ontem introduzir alguma clareza no processo, afirmando com lógica, algo contida mas perspicaz, que (e cito): – Se um acordo é impossível e ninguém quer um não-acordo, quem terá a coragem de nomear, finalmente, a única solução possível?

Trocando por miúdos: – Haverá algum actor deste drama político com coragem para defender a suspenção definitiva do Brexit?

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