Acordo de Paris

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 02 Junho 2017
Acordo de Paris
  • Rui Mendes

 

 

Trump não pára de nos surpreender. Ou será que já não nos surpreende?

As suas posições são, quase sempre, as indesejáveis.

Ainda recentemente Trump criticou a NATO, pese embora não tenha posto em causa a permanência dos EUA na organização, mas não deixou de questionar os demais membros, seus tradicionais aliados, sobre o financiamento da organização, abrindo assim brechas com os outros países, em especial com a Alemanha.

Esta semana veio mostrar-nos o seu pior lado ao pôr em causa o Acordo de Paris, alcançado em Dezembro de 2015, envolvendo cerca de 150 países, no qual se define as imposições que os países terão que cumprir nas alterações climáticas, de modo a serem atingidas metas que permitam que o aquecimento global seja abaixo dos 2ºC e para que as diferentes economias se possam adaptar, mantendo a sua sustentabilidade, mas transformando-se de forma a gerarem baixas emissões de gases, condição para a preservação do planeta, e para evitar que muitas zonas costeiras, altamente povoadas, sejam inundadas perdendo a sua habitabilidade.

Donald Trump não consegue perceber o essencial, o mínimo dos mínimos, que a sustentabilidade do planeta é de relevância superior a todas as outras questões, e que ao ter-se conseguido um amplo acordo sobre as alterações climáticas, os países deram um passo importantíssimo para a sustentabilidade do planeta, e que essa responsabilidade de preservar o planeta deve ser de todos e, muito especialmente dos países que mais o poluem, entre eles os Estados Unidos da América.

Ao romper o Acordo de Paris, o presidente dos EUA dá mais um sinal da intolerância da administração Trump.

Se pudéssemos ignorar Trump era o que eu aconselharia.

Não o podendo, porque ele representa a maior economia mundial, sendo que as posições dos EUA terão sempre uma importância proporcional ao seu peso politico e económico, quando possível é desprezá-lo.

E que ninguém pense que as atitudes de Trump não o atingem. Atingem e de que maneira. Algumas atingem-nos com o mesmo impacto que atingem os americanos. É assim num mundo globalizado.

E imaginarmos nós que a segurança do mundo passa, em muito, por alguém com este perfil. Preocupante não?

Quero acreditar que os EUA de hoje não sejam os EUA de Donald Trump, porque se forem não serão certamente os aliados que os europeus aspiram, porque as posições assumidas não são, de todo, aquelas que os europeus desejam.

E a quebra do Acordo de Paris é não só incompreensível, mas de uma total falta de responsabilidade perante um dos mais importantes acordos internacionais conseguidos.

Até para a semana

Rui Mendes

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