Afinal a culpa é de Costa

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 13 Novembro 2020
Afinal a culpa é de Costa
  • Alberto Magalhães

 

 

Na terça-feira, a propósito da quantidade e da qualidade das excepções ao confinamento parcial dos próximos dois fins-de-semana, falava eu da “desastrada comunicação de risco” das autoridades. Ontem, António Costa, veio reconhecer: “a culpa é toda minha”. Tão bem se expressou, tanta sinceridade mostrou nesta assumpção de responsabilidade que Liliana Borges, jornalista do Público, titulou assim a notícia: “Costa dá puxão de orelhas a quem procura excepções à regra”. Talvez porque, reconhecendo humildemente ter transmitido mal a mensagem, sempre foi lamentando (e cito) “o concurso para ver onde está a excepção para não cumprir a regra de se ficar em casa”.

Lamento dizê-lo, mas não foi preciso concurso. As excepções eram tantas que a regra “fiquem em casa aos sábados e domingos, entre as 15h e as 6h”, mais parecia um passador. Mas, agora, as excepções diminuíram drasticamente. Bem-haja, senhor primeiro-ministro por esta, tardia mas sensata, clarificação. E estou a falar a sério.

Évora (e mais 76 concelhos), entra a partir de segunda-feira, na lista vermelha e fica sujeita ao regime mais pesado, onde passam a constar 191 municípios. É pena que o Governo divulgue a lista sem apresentar, para cada um deles, os motivos da sua inclusão.

É pena que o sistema de semáforos proposto há semanas por vários especialistas não tenha sido aceite, nessa altura, pela ministra da Saúde, com o argumento palerma de que estigmatizaria os cidadãos dos concelhos vermelhos. Se o sistema estivesse montado, é provável que em Évora estivesse amarelo, com medidas menos gravosas.

É que recolher obrigatório durante a semana, mais a mais reforçado aos fins-de-semana, sai muito caro à hotelaria, à restauração e aos espectáculos, mas não só. O comércio em geral também sofre. Quem paga os prejuízos? A ministra? Pois se ela não tem culpa de nada!

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