Agitação social

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 20 Janeiro 2023
Agitação social
  • Rui Mendes

 

 

O período de agitação que se vive nas Escolas resulta da incapacidade dos Governos em resolverem os problemas das escolas e da classe docente.

Incapacidade porque são problemas que são conhecidos e que persistem, quando não se agravam ano após ano.

Para mais, quer António Costa, primeiro-ministro, quer João Costa, ministro da Educação, tiveram tempo mais que suficiente para resolver os problemas, houvesse vontade, houvesse determinação. Não houve.

Os problemas das escolas e dos professores mostram, também, o esgotamento do Governo e a sua incapacidade em antecipar respostas.

Agora o Governo está pressionado, está obrigado a ceder. O que não deixa também de mostrar a fraqueza do Governo.

Deparam-se com uma classe que possui cerca de 150 000 professores em total ebulição. Docentes que mostram todos os dias a sua insatisfação pela falta de respostas do Governo e pela degradação do ensino em sensu lato.

Uma classe que está envelhecida, composta por professores com idade média que ronda os 57 anos, e que deixou de ter a atratividade que durante muitos anos teve. Razão porque assistimos à existência de falta de professores. Perdeu também muito do seu estatuto. Perdeu a classe docente, mas também perdeu o país. Porque é importante preservar quer a valorização, quer o respeito que a sociedade deve demonstrar perante funções como a de professor.

O que está em causa é, desde logo, o subfinanciamento do setor, que tem efeitos diretos no funcionamento das escolas, nas carreiras dos docentes e, naturalmente, com reflexos na aprendizagem dos alunos.

O problema da vinculação dos professores mantém-se, continuam a aparecer professores com mais de dez anos de contratos a termo sem que vejam o problema da vinculação resolvida. O que não será aceitável.

O problema das deslocações não deixou de acontecer, professores colocados a enormes distâncias do seu local de residência, não percebendo o Governo que isso afeta a qualidade do ensino.

Os problemas da desvalorização da carreira, quer pela não contagem de tempo de serviço, quer pelo bloqueio em dois escalões, limitando a normal progressão na carreira, quer ainda pelo desnível perante carreiras de igual importância;

Para mais, quer-se agora arranjar uma outra solução milagrosa, que é os professores assegurarem aulas em várias Escolas. Quem suportará os custos da deslocação destes docentes entre as escolas, as perdas de tempo das deslocações, as perdas de eficiência. Parece nada ser suficientemente pensado.

Muito mais haveria aqui a reportar, o espaço desta crónica não o permite.

Mas é por isto que os professores pedem respeito. Um respeito pela função, um respeito pela escola, um respeito pela qualidade do ensino.

Naturalmente que em algum momento haveria uma explosão da classe. Aconteceu agora. Aconteceu por incapacidade governativa, porque os problemas persistem há tempo demais. João Costa é mais um membro do Governo a integrar o grupo dos fragilizados. Porque é como está.

Os Governos Costa são exemplarmente bons em nos entreter. E é isto que tem acontecido. Temos sido entretidos. É este o verdadeiro sentido da governação de António Costa.

 

Até para a semana

Rui Mendes

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