Ainda a expulsão das aves para lá do Samouco

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 23 Janeiro 2020
Ainda a expulsão das aves para lá do Samouco
  • Alberto Magalhães

 

 

Portanto, os mesmos políticos que se enternecem com a menina Greta Thunberg, que comungam com ela da necessidade de causar o pânico entre as massas, com o papão da “emergência climática de origem humana”, que partilham com ela da certeza, 100% certa, de que o mar vai amarinhar, rapidamente e em força, terra adentro, propõem-se construir um aeroporto ao rés da água, no Montijo.

Os mesmos políticos que juram devoção à mãe natureza, que lacrimejam com a possível extinção dos coalas, preparam-se para condenar a zona húmida do estuário do Tejo – uma das mais importantes do mundo, como salientei ontem, habitat de dezenas de milhar de aves, paragem e descanso de milhões de outras, migratórias, que voam de África para a Eurásia e vice-versa, e por isso integrante de primeira grandeza da Rede Natura. Condenam-na a sofrer, todos os dias, a passagem a baixa altitude de dezenas de aviões comerciais – quando sobem e quando aterram.

Os autarcas da zona, que agora se mostram tão entusiasmados com o desenvolvimento económico e a criação de emprego, continuarão no futuro a falar com o mesmo despudor de descarbonização, sustentabilidade e património ambiental?

O mote dos yesmen já começou a ouvir-se: “seja em que sítio for, um aeroporto traz sempre problemas ambientais”. Pois. Se fosse assim, não era preciso gastar tempo e dinheiro em Estudos de Impacto Ambiental. Tanto fazia! Somos parvos ou quê?

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