Ainda hesitamos?

Nota à la Minuta
Terça-feira, 05 Abril 2022
Ainda hesitamos?
  • Alberto Magalhães

 

 

As tropas russas, dias atrás, foram obrigadas a retirar do cerco a Kiev, no que descreveram como sinal de boa vontade, acossadas pelas forças ucranianas, que passaram ao contra-ataque. Como a imprensa internacional constatou em Bucha (e não só), ao retirarem, os russos deixam sinais vísiveis das atrocidades por eles cometidas contra populações civis, atrocidades deligentemente (mas deficientemente) desmentidas pelo estado russo e seus amigos.

Os dirigentes da Europa continuam a ser pressionados pelo horror deste morticínio, pelo efeito que causa nas suas opiniões públicas e pelos apelos do presidente Zelensky. De facto, é imperioso convencê-los de que são precisas mais sanções, sobretudo deixar de comprar gás russo, mas é preciso também melhorar o armamento fornecido ao exército ucraniano, acabando com a treta de só fornecerem material defensivo, quando é óbvio que, para expulsar as tropas invasoras, Zelensky precisa de armas de contra-ataque.

Os europeus hesitam, a Casa Branca hesita, enquanto o massacre da população ucraniana continua e a demolição do país vai progredindo. No entanto, os dirigentes ocidentais deviam saber (espero que já saibam) que qualquer sinal de fraqueza, qualquer hesitação, aumentará a convicção de Putin de que ainda pode obter, desta guerra, o que considera essencial: a destruição da Ucrânia como país viável e a apropriação de metade do seu território. Pior, convencê-lo-á de que pode avançar, sem demasiado risco, para a Moldova e a Geórgia, na versão menos ambiciosa, e também para os países bálticos, se achar que a NATO tem muita garganta, mas pouca vontade de lhe fazer frente.

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