Ainda o 25 de Abril em tempo de confinamento

Terça-feira, 21 Abril 2020
Ainda o 25 de Abril em tempo de confinamento

 

 

Aparentemente, o Parlamento percebeu que tinha mesmo de cumprir todas, mas todas, as restrições que estão impostas ao resto do país. Talvez lembrando uma directiva da DGS que, ainda antes da declaração do estado de emergência, determinava adiar ou anular os eventos que implicassem a presença de mais de 100 pessoas, resolveu reduzir a participação na cerimónia do 25 de Abril a 95 almas. Bom sinal. Lembremos apenas que, já por mais de uma vez, os deputados excederam, no hemiciclo, o limite de presenças que eles próprios se impuseram.

Entretanto, a campanha contra a comemoração vai, aparentemente, de vento em popa. Pois, “se o povo não pode ir à missa, celebrar a ressurreição de Cristo, que direito têm eles de se juntarem para celebrar o 25 de Abril?”. João Soares, que não é minimamente suspeito de odiar o 25 de Abril, percebeu o potencial de populismo que a pergunta encerra. Eu responderia que, não podendo o povo ir à igreja, nem por isso os sacerdotes e auxiliares deixam de realizar a cerimónia, para ser seguida pela rádio, ou pela TV.

Mais uma vez, o Presidente da AR fez questão de adoptar uma pose de intransigência antifascista, ao invectivar o deputado Telmo Correia, do CDS, nos seguintes termos: “Há uma grande maioria neste parlamento que quer celebrar o 25 de Abril e vamos celebrar o 25 de Abril neste Parlamento”.

Alguém deveria lembrar a Ferro Rodrigues que não é só a vontade da maioria que define uma democracia. Tão ou mais importante que a maioria é o primado da lei. Vão estar muitos olhos atentos aos pormenores, no dia 25 de Abril.

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