Ainda o pacóvio de Caminha

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 16 Novembro 2022
Ainda o pacóvio de Caminha
  • Alberto Magalhães

As nuvens sobre o discernimento de Miguel Alves, enquanto presidente da Câmara de Caminha, adensam-se. No site da autarquia minhota, esteve publicado, na altura do negócio do Centro de Exposições Transfronteiriço, o currículo do promotor Ricardo Moutinho que revelava que o moço era doutorado e tinha sido assessor do ministro das Finanças Mário Centeno, consultor da CCDR Centro, director de investimentos da Goldman Sachs de Londres, analista da Vodafone Ventures, também em Londres, e controller na Unilever Jerónimo Martins, entre outras fantasias. Depois, algo se terá passado, pois este delirante currículo deixou de estar online, como se a autarquia tentasse esconder o barrete enfiado por Miguel Alves.

Aparentemente pacóvio, mas muito estimado por António Costa, de que foi adjunto no Governo e que Costa levou para a Câmara de Lisboa, em 2007, ainda como adjunto, tendo-se mantido no gabinete da presidência até 2009, quando passou a ter actividade privada… ao serviço da autarquia, desde Março de 2010, contratando com a Câmara uma assessoria jurídica até ao fim do mandato, pela modesta quantia de 1500 euros/mês, num total de 61559 euros. Mais interessante: no mesmo dia de Março, Miguel Alves assinou mais dois contratos de assessoria jurídica com a vereadora da Cultura, Graça Fonseca, que haveria de ser ministra. Estas avenças ter-lhe-ão rendido quase 30 mil euros.

Pergunto: como é que António Costa quis para adjunto e a autarquia lisboeta contratou para assessor jurídico, um pacóvio de Caminha, capaz de acreditar num grosseiro mitómano como Ricardo Moutinho, o homem das 500 empresas e 20 aeroportos?

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