Alentejo e o problema demográfico

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 25 Setembro 2020
Alentejo e o problema demográfico
  • Rui Mendes

 

 

Têm sido vários os planos e estratégias que têm vindo a ser apresentadas, os quais pretendem projetar o que deverá ser Portugal ou o Alentejo no final desta década.

A elaboração de planos e a definição de estratégias terá a sua importância, desde logo porque constroem os diagnósticos e estabelecem ações para atacar problemas.

Os principais problemas da região estão á décadas identificados, a escassez de água tem sido, entre outros, um dos graves problemas, contudo o que terá mais impacto na região, embora nem sempre assim considerado, é o problema demográfico, particularmente no que se refere:

a perda de pessoas, gerando o despovoamento do território, sendo a região do país com menor densidade populacional;

ao envelhecimento crescente da população;

a perda da população, particularmente a jovem, entre os 20/30 anos, em resultado da falta de dinâmica económica de alguns sectores, não favorecendo a fixação de novos quadros na região. Dito de outra forma, é toda uma população jovem que se transfere para outras regiões, perdendo o Alentejo recursos fundamentais para o seu desenvolvimento.

Hoje são poucos os que conseguem aceder a empregos de qualidade na região, levando todos os anos à saída de muitos que deveriam ser impulsionadores de novos projetos e agentes do desenvolvimento regional.

A debilidade demográfica é um fortíssimo problema da região que, pese embora tenha sempre sido identificada em planos e estratégias, não só não tem tido resolução, como tem vindo a agravar-se.

É previsível que na década 2011/2021 a região perderá entre 40 a 50000 pessoas, mais do que perdeu na década anterior, e muito mais do que a região havia perdido entre 1991 e 2001. Ou seja, a perda populacional acentua-se e é transversal a todas as quatro NUT III que integram a região.

Uma região com estas características demográficas não se pode considerar uma região com atratividade. As pessoas são o maior valor que a região possui, pelo que qualquer plano, qualquer estratégia regional que não esteja especialmente focada no problema da demografia, não estará alinhada com este crítico problema regional.

Uma região que é atrativa é uma região que consegue captar novos residentes, que consegue fixar os seus habitantes, que cria emprego de qualidade, que consegue crescer e é economicamente sustentável.

Fixar pessoas no território passa necessariamente por fomentar o empreendedorismo, apoiar as empresas, fazendo crescer a economia de modo a que as oportunidades de emprego aumentem.

A nossa região só não tem perdido importância se falarmos do território. A região representa 1/3 do território nacional e este é um dado fixo. Em vários âmbitos estamos em perda.

A população da região apenas representa 4,6% do total da população portuguesa.

Politicamente a representação parlamentar da região (8 deputados) resume-se a uns meros 3,48% do total da representação parlamentar.

Economicamente, ainda que alguns sectores mostrem dinamismo e competitividade, a região terá de ganhar maior expressão.

Se queremos crescer, ganhar importância enquanto região, temos de fazer muito mais em prol da região, particularmente acertando nos caminhos a percorrer.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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