Algumas tarefas para os próximos anos

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 02 Fevereiro 2022
Algumas tarefas para os próximos anos
  • Alberto Magalhães

A maioria absoluta oferecida pelos eleitores ao PS é, ao mesmo tempo, uma oferta e uma exigência. A possibilidade de governar sem depender de outras forças políticas, torna-se na pesada responsabilidade de governar sozinho, sem desculpas nem álibis. Claro que há o contexto internacional, a crise pandémica, as difíceis condições económico-sociais do país que somos. Mas, a partir de agora, ao leme haverá uma força única, com a tarefa de conduzir Portugal, por entre escolhos ameaçadores.

Entre eles: a alarmante situação demográfica, que nos está a tornar num país que não é para novos nem velhos; a gigantesca dívida pública que ameaça tornar-se insuportável se os juros subirem; a inflação que pode disparar e fazer subir os juros; as desigualdades persistentes e absurdas – com 5% da população a deter 45% da riqueza – que ameaçam a coesão social e a convivência democrática; a ameaçadora bolha imobiliária; uma transição digital que pode afastar do mercado do trabalho muita gente sem formação profissional à altura; uma transição energética que pode significar custos brutais para as famílias e as empresas, sobretudo se for guiada por ambientalismos pouco sustentados na ciência e na engenharia; uma Escola cada vez mais simplista e simplificadora e uma Universidade cada vez mais tecnocrática e mais avessa à cultura; uma Justiça cada vez mais cara e mais injusta; Um SNS cada vez mais depauperado de profissionais e incapaz de cumprir a sua missão; enfim, será melhor parar aqui, para finalizar dizendo que o PRR, mesmo bem gerido, mesmo sem gastos ou desperdícios, mesmo sem desvios ilícitos, mal dará para começar. Mas o caso não é só de dinheiro. É sobretudo de estratégia competente e sólida. A ver vamos se o próximo governo passa no teste.

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