Alguns enigmas

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 31 Maio 2017
Alguns enigmas
  • José Policarpo

 

 

Os sucessos da atual governação em matérias como o défice e o emprego, têm como causas o controlo da despesa, as reformas em sede de legislação laboral que foram levadas a cabo durante a intervenção externa e a conjuntura económica favorável. Veja-se a este propósito, o excelente comportamento das exportações no sector dos têxteis portugueses para o mercado espanhol. Os ventos estão de feição para a atual governação.

Todavia, há uma pergunta que deverá ser feita: Qual a participação direta dos partidos da extrema-esquerda nos alegados sucessos governativos? Admito que possa a estar a ver a coisa distorcida. O certo é que estes partidos defendem mais despesa pública, mais consumo privado através da reposição de salários, aumento dos escalões do IRS e mais serviços públicos. Portanto, poderemos concluir que, a tríade partidária, que apoia o atual governo não teve qualquer participação direta nos referidos sucessos, para além daquela que decorre da aprovação do orçamento do Estado.

Consequentemente, a ilação a tirar desta circunstância, porventura a politicamente mais relevante, reside na impossibilidade da geringonça terminar a legislatura sem que os partidos da extrema-esquerda também participem diretamente nos ganhos. Neste sentido, a segunda parte da legislatura será muito mais complexa de gerir do que a primeira. Oxalá que esteja equivocado, a bem dos portugueses.

2 – O ministro Centeno parece que não quer ficar em Portugal e cumprir o seu mandato, o eurogrupo poderá ser o seu futuro. Não há, em principio, nenhum mal nisto, até porque o lugar é de relevância dentro das instituições que compõem a EU. Porém, se Centeno não ficar no lugar, haveria um denominador comum em três dos quatro últimos ministros das finanças: Não cumprem o mandato até ao fim.

Ora, mesmo que seja pura especulação, não creio que o seja, o lugar de ministro das finanças deverá causar muitas chatices e problemas ao seu titular. Como vimos atrás, por razões diversas, são poucos os ministros das finanças que terminam os seus mandatos. Há aqui também uma pergunta que se impõe fazer: Será que o país é ingovernável? Porventura esteja aqui a resposta para a afirmação: “As dívidas dos Estados são perpétuas”.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com