Alteração das medidas de confinamento

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 22 Janeiro 2021
Alteração das medidas de confinamento
  • Rui Mendes

 

 

Recuemos a março do ano passado.

A pandemia chegava a Portugal e o Governo entende adotar um forte confinamento. Aliás, fê-lo por força de toda uma sociedade que assim o exigia.

As escolas foram encerradas por uma vontade governativa, por decisão política, pese embora não fosse essa a recomendação que os “especialistas” deram ao Governo.

Agiu assim por razões de segurança da saúde pública, por cautela, porque verdadeiramente se desconhecia a força com que a pandemia chegava a Portugal, e por assistirmos ao que se passava na europa, particularmente, em Itália e em Espanha.

Regressemos agora ao presente.

Estamos a viver um momento dramático da pandemia. Os números que nos são dados a conhecer dia após dia são assustadores, e estão assim neste crescendo há várias semanas. A situação já era grave antes do Natal, já vivíamos com a pandemia a propagar-se, e em sucessivos estados de emergência. Piorou a partir daí.

A situação é de tal modo grave, assumidamente várias vezes superior ao que vivemos em março e abril, que não se entende a demora da tomada de medidas que reduzam ao mínimo a circulação de pessoas.

Mais uma vez não se agiu no devido tempo. Quando não se age em devido tempo os custos são superiores. É o que nos está a acontecer, mais pessoas infetadas, serviços de saúde em rutura, mais mortes, um efeito na economia bastante mais devastador.

Finalmente o Governo percebeu que o fecho das escolas é fundamental. Ainda que tenha arranjado uma forma engenhosa para legitimar o fecho das escolas.

Mas este fecho já vem tarde, muito tarde, já deveria ter acontecido, pela simples razão que fechar as escolas faz confinar uma parte significativa da população, condição para limitar a propagação do vírus.

Nada tem a ver com a segurança das escolas. Tem tudo a ver com o confinamento das pessoas.

Mas ao fechar os estabelecimentos escolares o Governo mostra que não preparou as escolas para este momento, razão pela qual preconizou a solução adotada.

Não conseguiu distribuir os prometidos computadores, meios essenciais para ser ministrado o ensino à distância. Pelo que se hoje se mantém os problemas sentidos no ano letivo anterior é porque o Governo foi incapaz de os resolver. Falhou. E esta falha justifica também a forma que o Governo adotou para fechar temporariamente as escolas.

Daí que a situação atual das escolas não seja muito diferente da que vigorava no ano passado.

Daí que o atual ensino à distância venha mostrar que se mantém assimetrias que deveriam ter sido, no entretanto, reduzidas. Para mais, as desigualdades socioeconómicas das famílias têm-se estado a agravar com a crise.

Daí que compreendemos as críticas ao encerramento das escolas, porque verdadeiramente o ensino à distância não substitui o ensino presencial, é um ensino que não é tão próximo, o que se reflete no desempenho escolar.

Daí que o encerramento das escolas terá certamente um forte custo social.

Mas a dramática situação pandémica vivida não deixa outra alternativa.

Se as escolas hoje são forçadas a encerrar, dando o seu contributo para se reduzir o número de infetados com o vírus SAR-Cov-2, para conter a pandemia, deve-se em primeiro lugar à ação do Governo, que não soube tomar as medidas certas, no tempo devido, para que não fosse necessário chegar a esta situação.

O Governo não estará isento de todo um conjunto de custos que futuramente os portugueses terão de suportar.

Serão os custos no ensino, serão os custos na saúde dos portugueses, serão os custos na economia, e uma dívida pública que não para de crescer.

 

Até para a semana

Rui Mendes

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