Ambiente à portuguesa

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 08 Junho 2023
Ambiente à portuguesa
  • Alexandra Moreira

 

No dia 5 de junho, celebrou-se o 50.º aniversário do Dia Mundial do Ambiente, criado pelas Nações Unidas para promover a sensibilização ambiental. A campanha deste ano exorta à adoção de soluções globais para combater a poluição por plásticos, um flagelo que vem devastando a vida nos oceanos e comprometendo o futuro.
Segundo dados divulgados pelo Parlamento Europeu, estima-se que mais de 150 milhões de toneladas de plástico estejam depositadas nos oceanos, provenientes de plásticos descartáveis e de equipamentos de pesca perdidos. Parte desses materiais causam ferimentos nos animais marinhos e, uma vez ingeridos por estes, originam poluentes químicos tóxicos que entram na cadeia alimentar, atingindo igualmente os humanos. Estima-se, também, que 5 a 13 milhões de toneladas de plástico por ano entre nos oceanos. Todos os dias, 730 toneladas de resíduos são despejadas diretamente no Mediterrâneo. Até 2050 os oceanos poderão conter, por peso, mais plástico do que peixe.
São números avassaladores, entre outros indicadores ambientais alarmantes, que exigem prioridade máxima entre as prioridades nacionais, a nível global.
Nos últimos anos, a Comissão Europeia vem exortando os Estados-Membros a acelerar as ações concretas por forma a atingir as metas políticas ambientais de 2030 e 2050 em direção a um futuro sustentável e a uma economia circular, alinhada com o Pacto Ecológico Europeu.
Entre as medidas consideradas urgentes, ressaltam a proteção da Natureza, a mitigação dos impactos das mudanças climáticas e a redução do consumo de recursos naturais, incluindo alimentar, com prevalência para a drástica redução de produtos animais, tal como proposto na Estratégia do Prado ao Prato.
Este ano, por ocasião do Dia Mundial do Ambiente, a Pordata, em colaboração com a Agência Portuguesa do Ambiente, divulgou o retrato estatístico da situação ambiental em Portugal, confirmando o que já se adivinhava: que o Ambiente, na ótica dos governantes nacionais, se reduz ao controlo das emissões de gases com efeito de estufa e às energias renováveis.
A economia portuguesa é a que mais recursos naturais consome na orla mediterrânica, absorvendo 174 milhões de toneladas anuais de materiais primários e transformados. O rácio por habitante é de 17 toneladas, 86% superior ao espanhol e bem acima da média europeia.
Consumimos demasiado e de forma errada, “como se não houvesse amanhã”. Por este andar, muito provavelmente não haverá. E também não sabemos evitar o desperdício nem tratar dos resíduos que geramos.

O governo da nação é um desgoverno ambiental. Não se conhece qualquer estratégia ou medidas concretas efetivas com vista à proteção da Natureza e à promoção de escolhas de consumo sãs e ambientalmente sustentáveis. Antes pelo contrário, adota-se o laxismo via “simplex ambiental”, oneram-se as áreas naturais, inclusive as já classificadas, apoiam-se indústrias lesivas, do setor primário ao terciário. O mesmo se diga, aliás, daquele que se apresenta como o mais numeroso partido da oposição, desprovido de responsabilidade ambiental e refém das mesmas clientelas.
Como partido ambientalista que é, formalmente integrado nos “Verdes Europeus” desde o passado sábado, o PAN assinalou o Dia Mundial do Ambiente com a entrada no Parlamento de um conjunto de iniciativas que visam contribuir para uma crescente redução do uso de plástico, desde alterações ao nível da taxa de IVA, à implementação do sistema de depósito com retorno e à eliminação progressiva da sobreembalagem.
Consumir muito menos e melhor, evitando o desperdício e optando por materiais reutilizáveis tem que ser o lema individual e coletivo.

Até para a semana.

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