Ambiente: É urgente agir localmente para mudar globalmente

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 17 Novembro 2022
Ambiente: É urgente agir localmente para mudar globalmente
  • Alexandra Moreira

Na reta final da Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (a COP 27), destinada a estabelecer as grandes metas ambientais a nível global, impõe-se que interiorizemos que o resultado coletivo é a soma das partes.

Por muito boas intenções manifestadas nos discursos políticos de ocasião, o facto é que nenhum avanço será possível sem a assunção das responsabilidades nacionais.

O primeiro-ministro português participou na Cimeira de Líderes da semana passada, afirmando que Portugal “é um exemplo de como investir na transição”, podendo mesmo antecipar para 2045 a meta da neutralidade carbónica.

O que Costa não disse é que Portugal permanece altamente dependente dos combustíveis fósseis (71% do total do cabaz energético), e que também nada se alterou relativamente ao grave problema das emissões de metano.

Designadamente, tem-se mantido a política agro-pecuária selvática, alheia às consequências ambientais, ao invés de se estabelecerem metas e medidas concretas para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, o que, aliás, é apoiado por 26% do financiamento global da Politica Agrícola Comum (PAC), a par da necessária adoção de mecanismos de monitorização e controlo.

Em 2020, a Comissão Europeia instou os Estados-Membros para a elaboração de planos estratégicos da PAC, com enfoque na proteção do ambiente. Recomendou, por exemplo, o recurso a regimes ecológicos para reumidificar turfeiras drenadas, promover a agricultura de precisão e a agricultura de conservação.

Através da Estratégia do Prado ao Prato, a Comissão Europeia anunciou o imperativo de adotar métodos de produção animal mais sustentáveis em termos de emissões de dióxido de carbono, bem como promover a transição para uma alimentação baseada em produtos de origem vegetal.

Porém, o governo português, alinhado com os interesses da grande indústria agro-pecuária, também apoiados pelas forças políticas habituais, tem-se mantido alheado dos referidos compromissos ambientais, continuando a apostar na produção desenfreada, com sacrifício da sustentabilidade e das gerações futuras.

É disso também claro exemplo a persistente promoção do regadio intensivo e superintensivo e a proliferação das monoculturas do olival e da amêndoa no Alentejo e no Algarve.

Tenhamos presente que Portugal consome anualmente o equivalente a “dois Alquevas” de água, 75% da qual se destina ao regadio (são números divulgados pela Agência Portuguesa do Ambiente – APA).

Especialistas nacionais na temática das secas vêm alertando que estamos a caminhar a passos largos para uma situação de seca hidrológica, que se regista quando as reservas de água começam a ficar delapidadas. Daí que, dizem, aumentar a área de regadio não é, não pode ser, uma opção. Pois é, mas essa tem sido a opção dos governos nacionais.

Avolumam-se as previsões científicas sustentando que o sul do país será parecido com Marrocos daqui a 30 ou 40 anos.

Por cá os governantes mantêm o proverbial laxismo e as mesmas políticas autistas. “Quem vier a seguir que feche a porta”.

Até para a semana.

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