Ameaça de demissão? Não havia necessidade

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 06 Maio 2019
Ameaça de demissão? Não havia necessidade
  • Alberto Magalhães

 

 

Afinal, tudo não passava de uma enormíssima fake new, de um alternadíssimo boato engolido inteirinho por jornalistas, comentadores e até, calcule-se, pelo próprio Governo. Aquela proposta conjunta, estabelecida na quinta-feira, entre PSD, CDS, PCP e BE, na Comissão Parlamentar de Educação, como alternativa ao decreto-lei do governo, afinal nunca esteve em risco de, verdadeiramente, existir.

Quer o CDS quer o PSD, nunca estiveram, por perto que fosse, na disposição de brindar os professores com o reconhecimento, na prática, dos tais 9 anos, 4 meses e 2 dias. Apenas queriam honrá-los com o reconhecimento formal de um direito que, pelo menos nos anos ou decénios mais próximos, não custaria um euro ao erário público, já que os seus efeitos práticos dependeriam de condições praticamente impossíveis de se reunir.

Fica, então, claro que o nosso manhoso primeiro-ministro, aproveitando alguma euforia mediática, que deu como certa uma coligação negativa entre direita e esquerda, com o PS ao centro, que afinal nunca passou de um são convívio parlamentar, tratou de encenar uma crise que, insistiu Rui Rio, após três dias – não de reflexão, pois não havia nada para reflectir – mas de sábia contenção, nunca teve razão de ser.

Ameaça de demissão do Governo? Bom, já que, alegada – embora tardia – mente, nunca se correu o risco de que a proposta cozinhada na Comissão Parlamentar viesse a ser aprovada na votação final em plenário, não havia necessidade.