America first, uma ova

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 25 Setembro 2020
America first, uma ova
  • Alberto Magalhães

 

 

Há uns dias atrás, o Washington Post noticiava, com base em duas fontes não reveladas, que um relatório da CIA alertava para que Vladimir Putin estará, provavelmente, a liderar uma campanha para denegrir a imagem do candidato democrata, Joe Biden, ajudando a reeleger Donald Trump. Já nas anteriores eleições só os cegos não deram pela interferência russa a favor da candidatura de Trump, que se tornou ainda mais evidente com as suas sucessivas manobras para dificultar a investigação dessa interferência.

Em finais de Junho, o The New York Times acusou Trump de ter sido avisado, pelos serviços secretos, de que a Rússia andaria a pagar a atiradores taliban para alvejarem soldados americanos no Afeganistão, e de não ter feito nada.

Em resumo, muito provavelmente, os EUA têm instalado na Casa Branca um traidor (era assim que se costumava chamar à coisa), pondo os seus interesses acima dos interesses do país que jurou defender. E mais, se aparenta estar nas mãos de Putin, Trump, com a sua inconcebível retracção internacional e a sua hostilidade em relação à Europa, também tem favorecido, imensamente, a China de Xi Jimping.

Agora, tendo sido, ao longo da vida, um praticante do voto por correspondência; agora, numas eleições realizadas a meio de uma pandemia que deixou alastrar, argumenta que a votação pelo correio é uma manobra fraudulenta dos democratas e quer os eleitores na fila de voto e de Covid-19. E sugere que só pode perder se houver batota e, nesse caso, apela ao Supremo Tribunal – de maioria republicana e onde 3 juízes terão sido nomeados por si – para lhe transformar a derrota em merecida vitória. Isto está bonito, está!

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