Ano Novo…Esperança renovada

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 29 Dezembro 2022
Ano Novo…Esperança renovada
  • Alexandra Moreira

Estamos a escassos dias de terminar o ano e de dar as boas-vindas a 2023. O ano que agora finda fica marcado por profundas mudanças, a maioria das quais de sentido trágico.

Após décadas de paz na Europa, vivemos o regresso da guerra e da destruição, acompanhada de uma grave crise energética.

Após décadas de estabilização dos preços e das taxas de juro, em níveis historicamente baixos, assistimos ao retorno voraz da espiral inflacionária acompanhada da subida das taxas de juro, ampliando a pobreza de quem tem menos recursos.

2022 é igualmente um ano negro em matéria de crises humanitárias. Segundo dados das Nações Unidas, mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo foram forçadas a abandonar as suas casas devido a perseguições, conflitos, violência.

A tudo isso soma-se o agudizar das alterações climáticas, agora em níveis próximos da irreversibilidade, e o fracasso dos compromissos ambientais na cimeira mundial COP 27.

Mas 2022 é, também, o ano em que o mundo pôde viver tréguas de uma pandemia devastadora que, ao longo de três anos, ceifou a vida a, pelo menos, 15 milhões de pessoas.

Um ser microscópico, com uma extraordinária capacidade de adaptação, fez-nos sentir, enquanto indivíduos e enquanto espécie, a extrema vulnerabilidade e o desamparo que tantos outros seres de outras espécies experimentam simplesmente por estarem à nossa mercê.

Fez-nos compreender, impiedosamente, que, por muitos avanços tecnológicos que ostentemos, o mais importante é a reconciliação com a nossa condição animal.

Os nossos ataques à Natureza continuarão a ser punidos, seja por meio de uma qualquer epidemia viral, seja por via de uma catástrofe natural.

É imperioso refundarmos a nossa relação com a Natureza e com os outros seres vivos com base no respeito. Paradoxalmente, as notáveis capacidades humanas não interiorizaram, ainda, que só conseguimos assegurar a nossa própria sobrevivência se nos comportarmos de forma decente para com as demais criaturas vivas, humanas e não humanas.

O próximo ano irá inevitavelmente ser muito difícil, já o sabemos. Os terríveis acontecimentos que presentemente nos afligem hão-de prosseguir e até agravar-se.

Mas significa igualmente o renovar da esperança num futuro melhor, na certeza de que isso é tão possível como tem sido o controlo da pandemia covid-19.

Essa será, a meu ver, a mais edificante lição deste ano.

Os meus votos de Bom Ano Novo!

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