Anti-racismo não racista

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 18 Junho 2020
Anti-racismo não racista
  • Alberto Magalhães

 

 

Em 1963, Martin Luther King fez um discurso perante uma multidão de mais de 200 mil pessoas, no culminar da “Marcha sobre Washington”, em defesa dos direitos civis dos negros norte-americanos. Escolhi alguns pedaços desse célebre discurso, para ilustrar o anti-racismo do orador:

“Não haverá nem descanso nem tranquilidade na América até o negro adquirir os seus direitos como cidadão. Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir os alicerces do nosso país até que o resplandecente dia da justiça desponte […] Não tentemos satisfazer a sede de liberdade bebendo da taça da amargura e do ódio. Devemos conduzir sempre a nossa luta com dignidade e disciplina. Não devemos deixar que o nosso protesto criativo degenere em violência física. […]

Digo-lhes hoje, meus amigos, que, apesar das dificuldades e frustrações do momento, eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. […]

Eu tenho o sonho de que, um dia, nas montanhas rubras da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes de donos de escravos possam sentar-se juntos à mesa da fraternidade. […]

Eu tenho o sonho de que os meus quatro pequenos filhos um dia viverão num país onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu carácter.”

Estas últimas palavras de Luther King, definem bem o justo objectivo do anti-racismo, como ele o concebia e eu o concebo: uma sociedade onde a cor da pele seja, pura e simplesmente, irrelevante.

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