António Costa e os sindicatos

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 19 Fevereiro 2020
António Costa e os sindicatos
  • Alberto Magalhães

 

 

A insistência do primeiro-ministro, António Costa, para que o presidente da República condecore Arménio Carlos, que agora cessou funções como líder da CGTP, central sindical dominada pelo PCP, ganha tanto mais significado quanto é quase coincidente com o desabafo de Carlos Silva, líder da UGT, central sindical de maioria socialista. Protestou o dirigente sindical, em declarações ao Observador, que António Costa, enquanto primeiro-ministro, nunca esteve disponível para receber a direcção da UGT.

Portanto, a situação pode resumir-se assim: António Costa é um tão grande apreciador do trabalho de Arménio Carlos – líder de um movimento sindical que sempre se recusou a assinar os acordos de concertação social patrocinados pelo seu governo – que está mortinho por vê-lo condecorado por altos feitos na defesa dos operários, camponeses e trabalhadores em geral. Em contrapartida, António Costa não quer nada com o seu camarada de partido Carlos Silva, que à frente da UGT tem borregado face aos patrões e ao governo PS, impedindo que os acordos de concertação social primam pela completa   ausência de trabalhadores.

Dizem as más línguas que António Costa pôs Carlos Silva de castigo porque este, enquanto militante socialista, apoiou António José Seguro e ter-se-á manifestado contra a geringonça. Isto, a ser verdade, seria muito reprovável.

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