Ao quinto dia Costa falou

Nota à la Minuta
Terça-feira, 15 Junho 2021
Ao quinto dia Costa falou
  • Alberto Magalhães

 

 

Ao fim de cinco dias de silêncio, António Costa decidiu falar sobre o caso da CML, para defender Fernando Medina. Fê-lo de forma tão desajeitada que melhor teria sido continuar calado. Disse que não via onde poderia haver responsabilidade política num problema de balcão. Um problema onde nenhum político interferiu e portanto, logicamente, onde nenhum político pode ter responsabilidades.

Ora, dizer isto é, por um lado, ofensivo, por nos tratar como tolinhos. Então a autarquia da capital está sem rei nem roque? Os eleitos são alheios ao que se lá passa? Por outro lado, é admitir que os políticos eleitos para dirigirem a autarquia, com o presidente à cabeça, mantiveram acerca de uma matéria sensível, envolvendo direitos fundamentais dos cidadãos, uma olímpica indiferença e culposa negligência. Dizer que não lhes passou pela cabeça um procedimento tão aberrante dos funcionários de balcão, é mesquinho por atirar as culpas para os debaixo e é denunciador de que, pelo menos desde 2019, não diligenciaram por cumprir e fazer cumprir os procedimentos obrigatórios de protecção de dados, adoptados em toda a Europa.

A desculpa com a lei de 1974, também é tão absurda que chega a ser ridícula. A única vez que a lei refere “representações diplomáticas ou consulares” é no seu artigo 13.º, dando a possibilidade aos governos civis – no caso dos concelhos sedes de distrito – ou às autarquias, para impedir manifestações a menos de 100 metros desses lugares.

Dizer, como o líder do CDS ou o candidato Moedas, que Medina está conluiado com os russos, é um disparate imenso. Mas esse imenso disparate não retira um grama de responsabilidade ao presidente da CML.

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