Aparentemente no rumo certo

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 20 Março 2020
Aparentemente no rumo certo
  • Alberto Magalhães

 

 

Aparentemente, ao abrigo da declaração do ‘estado de emergência’, o governo tomou, ontem, medidas razoavelmente sensatas para atrasar o mais possível o alastramento da infecção, aprofundando o isolamento social, e, ao mesmo tempo, garantindo um mínimo de actividade produtiva e de serviços essenciais, que amorteça, tanto quanto possível, a crise económica que, inevitavelmente, aí vem e garanta, a todos, condições mínimas de subsistência, evitando a completa disrupção social.

Digo ‘aparentemente’, porque não estou certo que o pacote não precise de múltiplas correcções e ajustamentos. Dou exemplos: posso usar o automóvel para ir às compras, mas se tiver um furo, quem me concerta o pneu? E se precisar de comprar uma torneira de urgência, onde me dirijo? Aparentemente, também porque os planos de ajuda às empresas parecem privilegiar relativamente o sector do turismo e ignorar excessivamente a crise anunciada nos outros sectores de actividade. Aparentemente, também porque em vez de ‘testar, testar, testar’, como aconselhou a OMS, o Instituto Ricardo Jorge gaba-se de ter feito, até ontem, 500 testes. Quanto às máscaras, de uso mais ou menos generalizado em todos os países que têm controlado a epidemia, estamos conversados…a DGS paga anúncios na TV para nos convencer que usá-las nos põe em perigo, em vez de pagar a fábricas têxteis para as produzir em massa.

Uma boa notícia, aparentemente: a senhora Lagarde, governadora do BCE, lá se resolveu a alargar os cordões à bolsa: 750 mil milhões de euros, para além dos já prometidos 120 mil milhões. Resta saber quanto disso chegará aonde é mais preciso.

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