Apenas um desabafo

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 30 Dezembro 2022
Apenas um desabafo
  • Glória Franco

Viva

Com a seca meteorológica em vias de terminar, tudo começa a ter outra cor, outro ritmo; o verde predomina e as oliveiras consentem maior vivacidade; o calmeiro repousa por uns tempos.
Para esta realidade sei das explicações.
No entanto, existe coisas para as quais não consigo encontrar justificações. Chego a pensar que todas estas contemplações, toda a dialética dos acontecimentos, contribuem, só por si, para o vingar de anulações consentidas e ignorâncias perpetuadas.
Estando a usufruir de uma pausa letiva, tentei ver televisão durante as horas em que habitualmente estou a trabalhar.
Mal ligo o aparelho irrompem do ecrã leviandades, aproveitamentos consentidos, o culto do ridículo.
O embate foi quase traumático.
São dias seguidos em que se exploram dramas, entram-nos pela casa dentro garantindo dinheiro fácil, saúde vitalícia e a juventude eterna. O aproveitamento e a especulação invadem-nos.
Continuamos a ter canais televisivos com alguma diferença nos modos de expressão, mas com fins comuns. Querem-nos fazer acreditar que temos liberdade para escolher, que nos são proporcionados diferentes pensamentos.
Como andamos iludidos!
Naturalmente, admitimos que somos livres, acreditamos na liberdade de escolha, mas continuamos limitados às formas e aos conteúdos. As escolhas não somos nós que as fazemos, são-nos impostas.
É nesta secura de conteúdos que se limitam as nossas liberdades.
Oferecem-nos pensamentos e fazem-nos acreditar que são nossos.
Mesmo sabendo que ninguém pensa sozinho, ao tomarmos estes como nossos, contribuímos para o eternizar do mau gosto e da iliteracia permitida.
Limitam-nos os propósitos; deixamos de sonhar e passamos a ser sonhados.
Fingimos ser donos das nossas vontades, mas somos absorvidos por pensamentos e tomamo-los como nossos.
Quase existimos por imitação.
Oferecem-se vidas cheias de portas por abrir, mas são as condutas normalizadoras que imperam.
Não nos dão as verdades, oferecem apenas o que nos querem fazer acreditar, brindam-nos com ilusões.
Presenteiam-nos com gentes viciadas nos infortúnios e com conversas exploradas nos silêncios.
Se, com a seca meteorológica que acabamos de viver, pouco podemos fazer, no que respeita à “seca” televisiva tudo está por cumprir.
Fiquemos pelo desabafo.

Bom ano para todos
Saudações LIVRE’s
Até para a semana

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