Apoios (extra)ordinários

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 16 Dezembro 2022
Apoios (extra)ordinários
  • Rui Mendes

 

 

O Governo anunciou esta semana um novo apoio extraordinário de 240€ como medida de apoio às famílias mais carenciadas.

Este “novo” apoio será atribuído a um milhão de famílias que recebem prestações mínimas ou que beneficiam da tarifa social de energia, sendo pago através da Segurança Social durante este mês.

Relembramos que esta tem sido uma prática corrente, pois que estas famílias já foram abrangidas por duas vezes com 60€ de apoio ao cabaz alimentar e, em setembro, com o apoio de 125€. Ou seja, o Governo vai acompanhando a crise, que se agrava, com medidas paliativas, de pequenos apoios, distribuídos no tempo, para que venha a ter sucessivos agradecimentos, tal é o nível de necessidade destas famílias.

A esmola é pequena e assim o povo não desconfia. Ao mesmo tempo vai sempre aparecendo com um novo apoio, como se de uma nova medida se tratasse.

Mas vamos à génese do problema. A questão está no elevado número de portugueses a viver em situação de pobreza ou baixos rendimentos, cerca de 2 milhões de portugueses, para além daqueles que não integram este grupo por estarem sujeitos a vários apoios de transferências sociais, senão aquele número mais que duplicaria. É mau. Muito mau.

Mas esses pequeníssimos apoios também nos mostram uma outra realidade. Mostram-nos o país real. Aquele país de que o Governo poucas vezes fala. O país do empobrecimento. O país do nivelamento salarial por baixo. O país de uma classe média em perda. O país que perde posições em relação a outros países que integram a União Europeia. Um país que está com uma subsidiodependência da União Europeia. Um país sobremaneira endividado. Tudo isto acontece em resultado do caminho trilhado, em resultado de políticas públicas inexistentes, inadequadas ou falhadas.

O novo apoio extraordinário de 240€ é um apoio para pobres, verdadeiramente pouco deverá resolver, mas provavelmente também o seu intuito não será o de resolver, será sobretudo para apregoar mais um apoio e, nesse sentido, não deixa de estar conseguido.

Com a crise a intensificar-se, porque 2023 será um ano mais difícil para os portugueses, certamente seremos confrontados com um outro novo apoio extraordinário desta natureza, que mais não seja para que o Governo possa anunciar a medida.

 

Até para a semana

Rui Mendes

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