Armados até aos dentes

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 26 Maio 2022
Armados até aos dentes
  • Alberto Magalhães

Não há nada de novo para se dizer sobre o assunto. Um traumatizado qualquer de 18 anos, filho de uma toxicodependente e, por ser gago, vítima de bullying na escola, gasta as economias a adquirir duas espingardas automáticas e mata, de rajada, 19 crianças e duas professoras, antes de ser, ele próprio, morto pela polícia. Tudo se passou no Texas, terra de cowboys, ao abrigo da 2ª ementa da constituição americana.

Não há nada de novo a dizer sobre o assunto porque, desde 2009, se contam já 288 tiroteios em escolas dos EUA e a conversa é sempre a mesma. De um lado, os defensores do direito primordial e inalienável de cada cidadão americano poder armar-se até aos dentes, do outro lado os que, impotentes, olham para o exemplo europeu e concluem (e bem) que, não havendo tanta facilidade em adquirir armas, os doidos frustrados e traumatizados têm muito menos oportunidades de chacinar crianças.

O mais assustador é que esta divisão, entre os puristas da 2ª emenda e os que querem regulamentar o acesso às armas de fogo, não dá mostras de se alterar um milímetro para o lado do desarmamento. Pior, com Donald Trump à solta, é bem possível que o fosso se aprofunde entre as duas tribos, por mais carnificinas escolares que venham a acontecer.

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