As eleições gerais em Espanha

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 29 Abril 2019
As eleições gerais em Espanha
  • Alberto Magalhães

 

 

Em Outubro de 2017, depois do esmagamento brutal da rebelião, estouvada mas pacífica, do referendo independentista catalão, eu dizia aqui que (e cito) “Mariano Rajoy poderia – deveria – ter deixado correr o marfim, e muito provavelmente o Não à independência ganharia o referendo. Preferiu o confronto e o esmagamento brutal da rebelião pacífica. Preferiu perder a Catalunha, mas ganhar a Espanha nas próximas eleições. Oxalá tenha a resposta que merece”.

Ontem, já sem Rajoy mas com Pablo Casado, o Partido Popular perdeu também a Espanha, sendo o grande derrotado do acto eleitoral, ao perder cerca de metade dos deputados que tinha na anterior legislatura e ainda a maioria absoluta no Senado.

Já Pedro Sanchez, à frente do PSOE, gozou dos rendimentos eleitorais que os dez meses de governo, um brutal aumento do ordenado mínimo e um voto útil contra a possibilidade de ascensão da extrema-direita ao governo, pela mão do PP de Casado e do Ciudadanos de Rivera, lhe proporcionaram. Conseguiu maioria absoluta no Senado e tem boas hipóteses de, em coligação com o Podemos, governar com apoio de vários pequenos partidos. Talvez consiga mesmo prescindir do apoio dos independentistas da Esquerda Republicana Catalã, o que aumentaria muito a sua margem de manobra para tentar resolver a impossível situação actual.

O Vox, estava previsto, lá arrancou 10% dos votos e 24 deputados, o Ciudadanos ficou atrás do PP, o que não abona em favor de Rivera, e Pablo Iglesias, à frente da coligação Unidas Podemos, tendo ficado em 4º lugar, mostrou-se – como direi – mais manso, face à hipótese de ir a ministro.

A abstenção, desta vez, perdeu. Cerca de 76% de eleitores foram às urnas.