As gémeas e os acontecimentos replicados

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 13 Dezembro 2023
As gémeas e os acontecimentos replicados
  • José Policarpo

O país onde nasci há mais de cinco décadas e nesta cidade única, sobretudo pelo passado que a exalta, foi fundado, porventura, com uma mácula na sua génese. O filho, Afonso Henriques, rebelou-se contra sua mãe para prosseguir os seus intentos.
Embora os fenómenos ligados aos desentendimentos entre pais e filhos não sejam invulgares, todavia, entre filho e mãe, sejam, no mínimo, inauditos. O nosso caso, caíra na exceção.
Obviamente esta descrição não justificará a nossa dificuldade em nos afirmarmos em tempos de conjunturas mais complexas, como é o caso da atual. No plano externo vivemos tempos muito complexos marcados pelas guerras no leste da europa e pela não convencional do medio-oriente.
Com efeito, um país consciente e responsável, face ao quadro atual, guerras, inflação e de grandes incertezas, não devia dar-se ao luxo de envolver-se em trapalhadas internas. Muito menos em dissoluções do parlamento, bem como na descredibilização da presidência da república.
Com isto não estou a defender que as responsabilidades, se as houver, não devam ser apuradas. Estou, porém, convencido de que o país sairá mais enfraquecido no final disto tudo, politicamente, e, inevitavelmente, do ponto de vista económico. Neste particular em resultado do adiamento da tomada de decisões.
Por isso, ou existe a coragem política para se aproveitar a oportunidade de se iniciar a “limpeza da casa” colocando-a a coberto de cunhas, favorecimentos, amizades e de pessoas e/ou grupos de pessoas que, existem para se servirem e, não, como é seu dever, servirem o todo. De contrário, inexoravelmente, seremos um país que o futuro é não ter futuro.

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