As inquietantes eleições americanas

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 02 Novembro 2020
As inquietantes eleições americanas
  • Alberto Magalhães

 

 

Hoje, enquanto o Presidente da República e o primeiro-ministro decidem se, quando e em que moldes, devem avançar para o estado de emergência, aproveitemos para pensar um pouco nas eleições de amanhã, nos EUA, talvez o acontecimento mais importante de 2020, depois da pandemia e, claro, das eleições no Benfica – que em boa hora foram antecipadas, permitindo-nos assim colocar o foco da nossa atenção na disputa entre Trump e Biden, ou melhor, na luta entre duas Américas que, cada vez mais, têm dificuldade em suportar-se mutuamente.

Os dados estão lançados, mas com a dificuldade em contabilizar tantos votos antecipados ou por correspondência, é com se tivessem ido parar debaixo de um móvel pesado. Depois, há o problema das armas. Não digo que seja uma regra 100% segura, mas acredito que uma das partes, afeiçoada a Trump, tem menos pacifistas e mais gente armada do que o pessoal do Joe Biden. Este desequilíbrio de, digamos, assertividade, já anulou uma acção da campanha democrata no Texas e não se sabe o que poderá trazer nos próximos dias, semanas ou meses.

Estarei a ser demasiado pessimista, concedo, mas confesso que, quando vejo Trump a dançar nos comícios, lembro-me sempre do Joker, arqui-inimigo do Batman interpretado pelo Jack Nicholson, a dar os mesmos passinhos de dança no cortejo festivo, quando se prepara para envenenar a população de Gotham, atraída ao desfile por dólares esvoaçantes.

Enfim, percebi nos últimos dias que os governadores estaduais podem abrir mais mesas de voto, nos sítios onde calculam ter a maioria de eleitores do seu lado, enquanto se tornam semíticos nos locais onde os adversários são mais fortes, obrigando-os a longas horas na fila. É por essas e outras que, digo eu, o sistema eleitoral americano precisava de uma boa reforma.

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