As lapas

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 03 Novembro 2021
As lapas
  • José Policarpo

A lapa, segundo a “wikipedia”, trata-se de um molusco que se fixa às rochas e aí permanecendo, não raras as vezes, durante quinze anos. Encontrando-se o seu habitat no nordeste do oceano atlântico.

Alguns líderes partidários fazem-me lembrar este molusco dado terem em comum a característica de se fixarem a alguma coisa para poderem sobreviver. As lapas, às rochas, os tais líderes, à cadeira do poder.

O regime democrático “vive”, indissociavelmente, da forma. São as regras que lhe dão “corpo” e “saúde”. Suspender as regras do jogo só em casos extremos, v.g., o estado de sítio. Por isso, a regra da regra, é sua observação, o seu cumprimento, no fundo o seu respeito. Sejam elas, constitucionais, ordinárias ou mesmo estatutárias.

A legitimidade jurídica e a política são partes da mesma moeda, ou se têm ou não se têm. No caso do partido social-democrata o processo eletivo conducente à eleição do presidente do partido teve o seu inicio por quem tem o poder para o iniciar e fora ratificado pelo conselho nacional, tendo as eleições diretas lugar no próximo dia 4 de dezembro.

Ora, a legitimidade política para presidir ao partido, só poderá ser uma decorrência do sufrágio secreto, direto e no âmbito dos seus militantes com quotas pagas.

Nesta senda, o próximo candidato apresentado pelo PSD a primeiro-ministro, candidato entre aspas, porque no nosso sistema político não há candidatos a primeiro-ministro, este sairá da maioria formada no parlamento, terá, na minha opinião, de ser legitimado nas urnas pelos militantes, no tempo devido.

A defesa de circunstâncias supervenientes para a suspensão e/ou adiamento das eleições e o mais que se quiser acrescentar, será abrir um campo de batalha onde os argumentos contra e a favor serão sem limite. Por conseguinte, o caminho da liberdade, da justiça e da democracia, está na realização das eleições agendadas no tempo próprio para o efeito.

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