As linhas da estabilidade

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 13 Março 2024
As linhas da estabilidade
  • José Policarpo

O resultado das eleições legislativas apenas tem uma leitura que interessa aos destinos do País. Não tendo a AD obtido uma maioria que possa governar nos próximos quatro anos com a estabilidade própria de quem necessita fazer reformas estruturais, só lhe restará fazer acordos com quem está disponível para os fazer.
A linha vermelha traçada por Montenegro em relação ao partido chega, vai de encontro ao interesse do país? Não estou certo. Tenho, para mim que, face à atual conjuntura política e económica, o país não se possa a dar ao luxo de criar condições favoráveis à instabilidade política.
Não antevejo, por isso, que, a marcação de eleições até no final do ano ou no início do próximo, possa vir a clarificar o quer que seja. O partido socialista já disse que não viabilizará orçamentos de Estado da AD. Por isso, a alternativa estará nos partidos de Direita.
Desenganem-se todos aqueles que estão convencidos de que ostracizar o Chega será o meio para que este partido perca a expressão ganha neste ato eleitoral. Em minha opinião, o Chega, deverá fazer a sua prova de vida no governo ou através de um acordo de incidência parlamentar.
Ora, a decisão de colocar o interesse do país acima da poeira do dia a dia do comentariado político, está nas mãos do presidente da República e de Luís Montenegro. Os últimos dois anos de governação demonstraram à saciedade que a estabilidade não é um fim, mas um meio. O presente momento reclama estadistas e não tacticistas. Os tacticismos nestas conjunturas nunca foram bons conselheiros.

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