As martirizadas populações de Cabo Delgado

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 11 Novembro 2020
As martirizadas populações de Cabo Delgado
  • Alberto Magalhães

 

 

O grupo terrorista islâmico conhecido como “Al Shabaab moçambicano”, uma subsidiária do Estado Islâmico, continua a atacar em força as populações da província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Desde o fim de Outubro já atacaram cerca de duas dezenas de aldeias da região, queimando casas e perseguindo e decapitando mais de 50 pessoas reunidas no campo de futebol de Muatilde, para além de centenas de mortes de cidadãos indefesos de outras aldeias, sobretudo da etnia maconde, sobretudo de religião cristã.

Mais de metade dos Macondes são muçulmanos e parecem ter uma preferência crescente pela lei da sharia, o que favorece as movimentações dos terroristas. O abandono a que o governo moçambicano tem votado esta região, que não as suas riquezas naturais, traduz-se na maior taxa de iliteracia do país e numa elevada taxa de desemprego (sobretudo entre os jovens). O tráfico de armas, drogas, madeiras e marfim, sustentam o crime organizado e a corrupção. Com a descoberta de grandes jazidas de gás natural, a região tornou-se alvo de cobiça, que pode estar por detrás das investidas dos fundamentalistas islâmicos.

Seria bom que Portugal, a União Europeia e, quiçá, a ONU de António Guterres, agora que se verá, em princípio, livre de Donald Trump, pudessem dar uma ajuda às martirizadas populações de Cabo Delgado que, segundo a Amnistia Internacional já geraram mais de 300 mil refugiados, existindo 712 mil pessoas a precisarem de ajuda humanitária. Mas também, digo eu, de protecção militar.

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