As pombas do Ocidente

Nota à la Minuta
Terça-feira, 08 Março 2022
As pombas do Ocidente
  • Alberto Magalhães

Um dos grandes erros estratégicos da UE, foi cair nos braços da Rússia de Putin quanto ao fornecimento de gás e petróleo. A tão celebrada senhora Merkel, ao fechar as centrais nucleares alemãs, elevou essa dependência aos píncaros. Mas não só na energia, os dirigentes ocidentais se portaram como autênticas pombas face ao czar de Moscovo. Das suas intervenções na Geórgia, na Moldávia e, a partir de 2014, no leste da Ucrânia, com a anexação da Crimeia e a luta separatista no Donbass, a Europa desviou o olhar.

A Europa julgou que o gás e o petróleo fomentariam uma interdependência capaz de manter Putin dentro de limites razoáveis. Esqueceu-se de um gigante ávido de energia, de seu nome China, capaz de ser para a Rússia um cliente alternativo.

Juntemos a isto o quase apagamento da NATO às mãos de Trump, mas também dos aliados europeus sempre relutantes em gastar dinheiro na Defesa, e poderemos dizer que, no limite, foi a passividade Ocidental que alimentou o sonho e o plano putinesco de reconstruir o império russo. As pombas da NATO, inclusivamente, nas vésperas da invasão da Ucrânia, fizeram questão de avisar Putin de que poderia estar à-vontade: a Aliança não iria defender militarmente o país.

Invasão consumada, as opiniões públicas democráticas mostraram aos seus governos que a decência pedia sanções duras contra o invasor. Elas apareceram mais depressa e mais duras do que muita gente julgaria possível. Ainda bem. Mas através do gás e do petróleo, infelizmente, os europeus continuarão a encher os cofres do Kremlin.

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