As previsões catastróficas do Clube de Roma

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 17 Maio 2019
As previsões catastróficas do Clube de Roma
  • Alberto Magalhães

 

 

Em 1972, foi publicado um relatório, elaborado por uma equipa do MIT contratada por um grupo conhecido como Clube de Roma e que reunia a fina-flor do capitalismo bem-intencionado. O trabalho, intitulado Os Limites do Crescimento, entre outras previsões realmente graves, alertava para o rápido esgotamento das reservas petrolíferas e para o alastrar da fome, fruto do aumento descontrolado da população mundial. Propunha uma única e radical solução: o crescimento zero.

Claro que o seu impacto nas sociedades da abundância e do desperdício, só teve paralelo no repúdio de que foi alvo por parte dos países do Terceiro Mundo, que ansiavam por se desenvolver. Índia, China e Brasil, para dar três exemplos de peso, mandaram o Clube de Roma dar uma volta.

Com o passar das décadas, o famoso relatório foi sendo desmentido pelos factos. Vinte anos depois, as reservas petrolíferas conhecidas, em vez de esgotadas tinham crescido, e muito. Na India e na China, centenas de milhões de seres humanos deixaram a pobreza absoluta e a esperança de vida global não parou de crescer.

Pois, em vez de dar a mão à palmatória, o Clube de Roma, 40 anos depois do primeiro relatório, resolveu, em 2012, encomendar a sequela ao mesmo MIT, que fazendo uso de modelos matemáticos avançadíssimos, prevê para 2052, desgraças sem fim.

Faz lembrar as seitas que previram o fim do mundo para o ano 2000 e que, ultrapassada a data, arranjaram uma explicação mal-amanhada para o sucedido – ou melhor, para o não-sucedido – e prometem, para breve, um fim-do-mundo ainda pior do que o anterior.