As surpresas de Putin

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 28 Fevereiro 2022
As surpresas de Putin
  • Alberto Magalhães

 

Quatro dias depois de iniciada, a ignóbil invasão da Ucrânia prossegue, talvez imparável, mas mais lenta e menos épica do que Putin certamente esperaria. Aliás, depois de surpreender o mundo com a crueza do seu discurso e a brutalidade da sua operação militar especial, estará decerto, ele próprio, tolhido por várias surpresas.

A saber: o “bando de drogados e neonazis” conseguiu, com ajuda russa, empolgar os ucranianos e uni-los na defesa da pátria; as opiniões públicas internacionais, mas também parte da russa, têm mostrado imunidade aos argumentos de Putin e seus idiotas úteis, infligindo-lhe uma tareia monumental na luta por uma narrativa vencedora; também por isso, os governos europeus, em vez de se digladiarem ou chegarem a compromissos pífios, desta vez, estão a exceder todas as expectativas, na ajuda financeira e militar à Ucrânia.

Tantas surpresas deixaram, naturalmente, Putin mal-disposto e, sobretudo, fragilizado aos olhos dos oligarcas seus pares. Tratou, por isso, de engrossar a voz, ameaçando meio-mundo com as suas armas nucleares. O grupo de ucranianos, imigrados em Portugal, que voltam ao seu país para o defender, estão a dar-lhe a devida resposta.

Quer isto dizer que Putin não passa de um “tigre de papel”? Nada disso. Putin deve ser levado a sério porque é perigoso. Mas levá-lo a sério é dar-lhe luta forte e firme,  como estão a fazer os ucranianos e, finalmente, as democracias liberais.

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