As surpresas do XXI Congresso

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 30 Novembro 2020
As surpresas do XXI Congresso
  • Alberto Magalhães

 

 

Apesar do PCP atribuir aos orgãos de comunicação social grande parte das culpas por mais uma ofensiva anti-comunista e anti-congresso de Loures, na verdade, os jornalistas e comentadores esforçaram-se, durante todo o fim-de-semana, por dar o maior relevo aos extraordinários eventos e surpreendentes revelações que saltaram para a ribalta.

Vejamos: Jerónimo de Sousa, no discurso inaugural, tratou de revelar, para grande surpresa nossa, que a inspiração do PCP continua a ser o marxismo-leninismo. Depois da supressão da ‘ditadura do proletariado’ como objectivo e da aparente aceitação da inconsequente democracia burguesa como método, ninguém diria que Marx e Lenine ainda fossem referências para os comunistas portugueses. Mas, Albano Nunes, no sábado, foi explícito: “o afastamento do marxismo-leninismo conduz à degenerescência”, explicou ele (não sei se querendo referir-se aos últimos desastres eleitorais do partido). Depois, competindo com André Ventura num verdadeiro ataque à Constituição da República, relembrou que “o capitalismo tem de ser derrubado pela força”.

Enquanto não estão criadas as condições, objectivas e subjectivas, para a revolução proletária, o PCP oferece-se para, com os socialistas, sustentar uma alternativa de esquerda.

A maior surpresa do Congresso surgiu, porém, quando o Comité Central recém-eleito votou, à porta fechada, o nome de Jerónimo de Sousa para o cargo de secretário-geral. Ao contrário da tradicional unanimidade (muito bem explicada pela aplicação do princípio leninista do centralismo-democrático), Jerónimo recebeu um, realmente espantoso, voto contra. Já há quem diga, com certa maldade, que esta foi a peça de dominó que iniciou a derrocada do centenário partido.

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