Às urnas, cidadãos!

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 22 Janeiro 2021
Às urnas, cidadãos!
  • Alberto Magalhães

 

 

A pandemia está medonha e é provável que não convide muito ao voto nas eleições de domingo. O lamentável espectáculo da votação antecipada de domingo passado, se tivesse sido encenado para desmotivar os eleitores menos entusiasmados com o cumprimento do dever cívico de escolher o seu presidente da República, não seria muito diferente. A convicção de que o actual presidente vai ser reeleito, pode pesar no mesmo sentido, sobretudo entre o seu eleitorado mais idoso ou menos motivado. Acresce que a impossibilidade de os emigrantes votarem por correspondência, só por si, poderá ser responsável por cerca de um milhão de abstencionistas. Se lhe juntarmos mais de 800 mil mortos que continuam nos cadernos eleitorais…

Por isso, é convicção comum que a abstenção vai ser enorme, nunca vista, tornando o candidato mais votado um vencedor legítimo, mas frágil. Ora, um presidente da República frágil, com um governo minoritário, desgastado pelas circunstâncias e por erros próprios, é tudo o que o país não precisa nestes anos mais próximos, marcados por uma pandemia longe do fim e por uma crise económica e social que ainda mal começou.

A democracia tem tendências suicidas, reactivadas quando menos se espera, por vezes, quando a habituação a torna sensaborona, desanimadora e pouco atraente. Às vezes, os candidatos parecem não valer o esforço de votar. Mas, é preciso lembrar que não se trata de escolher o candidato perfeito, mas o menos mau para o lugar?

Convém, sobretudo, não esquecer que, sendo comprovadamente um péssimo sistema de governação, a democracia não deixa de ser, apesar de tudo, melhor do que qualquer dos outros.

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