Aumento do emprego público

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 26 Fevereiro 2021
Aumento do emprego público
  • Rui Mendes

 

 

A DGAEP divulgou a Síntese Estatística do Emprego Público respeitante ao 4º trimestre de 2020.

Ficámos a conhecer os dados e indicadores sobre o emprego público.

A 31 de dezembro de 2020, o emprego no setor das administrações públicas situou-se em 718 823 postos de trabalho. Ou seja, o emprego público cresceu, em apenas um ano, em 19 792 novos postos de trabalho.

Dir-me-ão que 2020 foi um ano especial, um ano de pandemia, onde excecionalmente foi necessário recrutar bastante para reforço do SNS.

Mas não têm razão, porque o SNS recrutou apenas 7 114 indivíduos, entre médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica e assistentes operacionais.

Saliente-se, também, que em 2020 os dirigentes do setor público aumentaram, foram mais 657. Muitos para servirem a estrutura política do Governo.

Mas não foi apenas em 2020 que o emprego público cresceu.

Essa é uma tendência própria dos governos socialistas. No passado assim foi, no presente não é diferente.

O emprego público aumentou em mais 5 153 trabalhadores em 2017, mais 13 844 em 2018, mais 15 866 em 2019 e mais 19 792 em 2020.

Nestes últimos 4 anos o emprego público esteve sempre em crescimento. Foram admitidos no setor das administrações públicas mais 54 655 indivíduos.

Este permanente crescimento do emprego público tem os seus efeitos na despesa pública.

Ora, se nos recordarmos das razões que estiveram na base da crise económica portuguesa de 2011 (dívida pública elevada, défices excessivos, crescimento da despesa pública), percebemos que trilhamos um caminho que não é muito diferente daquele que nos levou a ter de pedir apoio financeiro externo.

A dívida pública do país não para de crescer.

O emprego público está muito próximo do nível atingido em 2011, que se situava nos 727 785 trabalhadores.

A TAP é o nosso Novo problema. Veremos por quantas vezes vão ser multiplicados os 1,2 mil milhões de euros que foi o montante pedido aos portugueses para salvar a companhia. Veremos que sacrifícios terão de ser suportados pelos contribuintes.

O discurso é o mesmo de sempre, o discurso do facilitismo, otimista e pouco realista.

 

Até para a semana

Rui Mendes

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