Ausências da campanha

Nota à la Minuta
Terça-feira, 08 Outubro 2019
Ausências da campanha
  • Alberto Magalhães

 

 

Quer a pré-campanha eleitoral, mui farta de debates e entrevistas, quer os 15 dias da campanha oficial, espremidas espremidas – e ao contrário do que ouvi a alguns comentadores – foram muito pobres de ideias. “O meu Centeno é melhor que o teu”, “a maioria absoluta é um perigo”, “é preciso estabilidade”, “a patente da geringonça é nossa”, “acabar com a carga fiscal mais elevada de sempre”, foram algumas das ideias mais elaboradas, repetidas até à náusea pelos candidatos. Nem vou mencionar as menos elaboradas.

Como é hábito, ficaram de fora, aflorando a superfície aqui e ali, sem grande ressonância, coisas bastante importantes, para não dizer decisivas, para o nosso futuro colectivo. Dou alguns exemplos de problemas estruturais não tratados, apenas aflorados ou displicentemente maltratados:

  • A gestão dos serviços públicos, muitas vezes amadorística, quase sempre burocrática e ineficiente, sem avaliação digna desse nome de funcionários e gestores, com perdas e desperdícios materiais e humanos,

  • A deficiente gestão de grande parte das empresas portuguesas que, combinada com a falta de capital e mão-de-obra pouco qualificada, com os baixos salários a levarem os melhores a sair do país, geram uma produtividade abaixo dos mínimos necessários a um crescimento económico aceitável,

  • A falta de creches e jardins de infância com horários adequados, sejam de responsabilidade autárquica sejam nas empresas e nos serviços públicos.

  • A União Europeia, o Brexit, e todos os problemas internacionais que se mantiveram ausentes da campanha,

  • Por último, hoje, mas não menos importante, a miséria de um Acordo Ortográfico, com 30 anos, que, em vez de unificar a escrita em português (sua finalidade anunciada), apenas serviu para pôr cada qual a escrever à sua maneira.