Austeridade: o primeiro verso do mantra da oposição

Terça-feira, 19 Abril 2022
Austeridade: o primeiro verso do mantra da oposição
Foi entregue o primeiro orçamento desta maioria absoluta e a oposição, ajudada pelo fantasma da “Maioria Absoluta do Passado”, já criou as “buzzwords” que, em paralelo, fazem o caminho só a olhá-lo de lado. O fantasma foi o de há 33 anos, o mesmo número quase já mítico dos diagnósticos médicos, ultrapassados, ao estado dos pulmões de um paciente; tão inúteis, obsoletos, como o último artigo do Professor Cavaco a exigir coragem a este Governo.
Austeridade é um termo PàFiano criado pela oposição de então, estávamos entre 2012 e 2015, para qualificar a divisa “para além da troika” que o Governo PàF ostentou orgulhosamente. “Austeridade” foi a palavra que deu à PàF a vitória que não chegou para constituir Governo e que a Geringonça, no seu discurso mais canhoto, achou sempre que era conjuntural e não estrutural, como agora já aprendemos todos a dizer.
A austeridade, na sua definição primeira e não derivada, será tão estrutural na governação portuguesa como a crise. Ambas perpétuas porque são o equilíbrio que nos permite ir avançando e que não deve ser confundida com mesquinhez. Esta, a mesquinhez, é a maldade do “aguenta, aguenta”, do sonho de Quintela em deixar gente sem salários por um par de meses que “seria uma pressinha”, enfim, do Portugal salazarento. A maldade que promove a desigualdade, seja por ideologia fascista que a proclama, seja por incompetência de lidar com as dificuldades de a combater, mesmo concordando que quanto menos desigual é uma estrutura social, mesmo hierarquizada, melhor se percorre o caminho da prosperidade de uma nação.
Não há mal nenhum na austeridade, palavra ou pauta que traça um caminho, porque é ela que permite “contas certas”, sejam estas feitas com poucos ou muitos zeros. Onde há mal e dolo é andar-se convencido e, pior ainda, andar a convencer os cidadãos, de que se pode dar tudo a toda a gente.
Tenho para mim que os que estiveram do lado esquerdo da Geringonça não quiseram governar porque, do lado da solução, são incompetentes na aplicação do discurso que têm quando estão no lado da contestação. Veja-se a contestação e resistência de certos autarcas à transferência de competências e percebe-se bem a dificuldade em governar sem empurrar responsabilidades. Mas essa palavra – transferência – é parte do segundo verso do mantra da oposição ao XXIII Governo da República. Dela falarei talvez um dia, lá mais para a frente.
Até para a semana.

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