Autárquicas 2021

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 14 Fevereiro 2020
Autárquicas 2021
  • Rui Mendes

 

 

As direcções partidárias dos sociais-democratas e dos democratas-cristãos deram esta semana o primeiro passo para entendimentos nas eleições autárquicas de 2021.

Esse será o caminho que ambos os partidos querem que aconteça.

Em boa verdade o CDS tem apresentado, em muitos concelhos, listas conjuntas com o PSD, o que tem permitido que algumas câmaras não tenham uma gestão à esquerda. Em 2017 dezanove presidentes de câmara foram eleitos em listas de coligação PSD/CDS.

Ambos os partidos acreditam que, em coligação, será possível ganhar um maior número de câmaras e, consequentemente, eleger maior número de eleitos locais.

As direcções nacionais deram o passo e o sinal que se lhes exigia, no tempo em que o deveriam ter feito.

Caberá agora, porque este é o tempo de começar a amadurecer posições, que as estruturas locais manifestem as suas opções.

As estruturas locais de ambos os partidos terão uma palavra importante na estratégia autárquica que será adoptada, como terão particulares responsabilidades nos resultados que se atingirem.

Em termos nacionais a posição assumida é claramente entendível. Por razões óbvias haverá concelhos em que será o único caminho a seguir. Em particular nos concelhos do Alentejo onde não fará sentido que a estratégia definida pelas direcções nacionais não venha a ser adoptada.

Será a forma de conseguir rentabilizar votos.

Será a forma de conseguir disputar, de facto, a presidência de algumas câmaras.

Será a forma de conseguir ter uma palavra na gestão de algumas câmaras, e de conseguir dar dinamismo económico a alguns concelhos, e consequentemente estancar ou inverter indicadores que, de ano para ano, se vem agravando, sem que haja qualquer consequência.

A televisão pública está a oferecer-nos uma notável série documental designada de “nós portugueses”, onde nos mostram um retrato de Portugal, do drama da queda da demografia, dos efeitos do despovoamento, do caminho para onde o país vai e, particularmente, do país que seremos. A região Alentejo é aquela que apresenta o maior envelhecimento da população e a mais baixa densidade populacional. As políticas públicas nacionais, ou a ausência delas, terão aqui particulares responsabilidades, mas a gestão dos territórios também têm a responsabilidade dos eleitos locais, pelo que uns não poderão desculpar-se com a gestão dos outros, algo que tantas e tantas vezes acontece. A falta de competitividade de muitos destes territórios também deriva da apatia que se instalou em muitos deles. Daí a necessidade de lhes injectar sangue novo para lhes dar vida, que é o que lhes falta.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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