Baile de máscaras e saúde mental da infância

Nota à la Minuta
Terça-feira, 14 Setembro 2021
Baile de máscaras e saúde mental da infância
  • Alberto Magalhães

Diz-se que, desde ontem, não é obrigatório o uso de máscara ao ar livre. Desculpem, mas a ucharia não é assim tão grande. Primeiro, porque sempre se pôde andar sem máscara na rua, com excepção das situações em que se tornasse difícil manter a distância física higiénica. Depois, porque muitas actividades ao ar livre – concertos, jogos de futebol e, imagine-se, recreios escolares – poderão continuar debaixo do regime obrigatório. Veremos os pormenores, depois da reunião de ‘peritos’ de quinta-feira no Infarmed.

Devo dizer, no entanto, que realmente grave será a inaudita política do uso obrigatório de máscara pelo pessoal dos jardins de infância e, mais grave ainda, das creches. Porque nos primeiros anos de vida, como a esmagadora maioria de mães e pais intui, mas os ‘especialistas’ da DGS e do ministério da Educação parecem desconhecer, as crianças têm uma necessidade absoluta de ler no rosto dos cuidadores a aprovação, o desacordo, a alegria, a tristeza e demais sinais congruentes com as suas próprias acções e estados de alma. A impossibilidade de ler o rosto do adulto, só parcialmente é substituída pela voz e suas entoações e pode ter, em muitas crianças, consequências pesadas em termos de desenvolvimento socio-afectivo e de saúde mental.

Mas o disparate, não acaba nesta imposição. Aconselhar o distanciamento físico entre os infantes (mas também entre infantes e adultos) e desaconselhar a partilha de brinquedos, é ter das creches e jardins de infância a ideia troglodita de que estes são depósitos onde se podem guardar miúdos, cada um na sua bolha, enquanto os pais trabalham. Aguardo a intervenção da Ordem dos Psicólogos e aconselho a revolta de pais e educadores de infância.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com