Baixámos a guarda

Sexta-feira, 04 Junho 2021
Baixámos a guarda

 

 

A final da Liga dos Campeões foi jogada no sábado, no estádio do Dragão, entre duas equipas inglesas, Chelsea e Manchester City.

O Governo permitiu a estes clubes o que não permitiu aos clubes portugueses. Permitiu que esta final se realizasse com público, o que desde logo é uma desigualdade perante as finais recentemente realizadas entre clubes portugueses. Uma desigualdade não justificada porque evidentemente não existe qualquer argumento que pudesse ser utilizado em defesa da posição do Governo.

Aliás, infelizmente esta foi mais uma das muitas “regras” que se aplicam a uns e não se aplicam a outros.

Quis o Governo que acreditássemos que os adeptos ingleses se iriam deslocar numa bolha de segurança. Algo que não só não aconteceu como seria difícil de executar. Se porventura alguns circularam em bolha terá sido um número residual, com pouca expressão, porque os adeptos foram chegando nos dias anteriores ao jogo e, na sua grande maioria, não deixaram o país após o jogo terminar. Pelo que falar-se no efeito bolha é algo pouco sério.

As diferentes sequências de imagens e reportagens transmitidas pelos vários órgãos de comunicação social dão-nos uma perceção clara que os adeptos de ambas as equipas circularam livremente, não cumprindo regras impostas pelo Governo aos cidadãos portugueses, como o uso da máscara ou o distanciamento social.

Como não será de estranhar as cenas de desordem e violência que assistimos, elas fazem parte de um histórico conhecido. Por que razão aqui seria diferente.

Evidentemente que o Governo português aceitou que o jogo fosse realizado em Portugal, com a presença de assistência, porque sabia que o jogo a ser realizado numa cidade portuguesa traria a Portugal vários milhares de ingleses, o que se veio a confirmar, e consequentemente forte impacto económico, especialmente na hotelaria e na restauração, setores particularmente atingidos pela crise instalada pela pandemia.

Contudo, é fundamental não estragar o esforço a que todos os portugueses foram sujeitos para conseguir reduzir os elevados números de óbitos e de infetados que assolaram o país. No mínimo o que se exige é que se respeite os custos, sociais e económicos, do segundo confinamento.

O certo é que baixámos a guarda perante a Covid e isso é o que não deve acontecer.

O impacto positivo da final da Liga dos Campeões na economia é conhecido, falta conhecer eventuais efeitos no aumento da propagação do vírus, e as consequências que daí decorrerão.

O Governo esteve mal em todo este processo. Como já havia estado mal na forma como geriu, ou melhor, como desastrosamente geriu as comemorações do vencedor do campeonato de futebol.

Mais uma vez o Ministério da Administração Interna não esteve à altura, o que em boa verdade não se estranha.

Como não é estranho que não haja culpados no Governo. Isso era o assumir erros. E erros ou inação foi o que ninguém do Governo previu ou viu.

 

Até para a semana

 

 

 

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