Barulho das luzes

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 13 Dezembro 2018
Barulho das luzes
  • Eduardo Luciano

 

 

Mês difícil, este em que metade do mundo anda a fingir que se importa com a outra metade. É a aproximação do Natal com o seu cortejo de almoços e jantares, de troca de correspondência onde as palavras brilham e tocam sinos entre os parágrafos que evocam a paz e o amor a todos e cada um.

Este é o mês onde é difícil distinguir os que nos querem bem dos que nos querem tramar, com um sorriso parecido com aquele que ostentam os pulhas durante o mês de Dezembro.

A idade vai criando filtros e permite-me distinguir tranquilamente o que é genuíno do que apenas se concretiza para cumprimento de calendário. Verdade seja dita que esses tais filtros também me vão tornando menos caloroso para cada vez mais pessoas.

Todos os anos, mais ou menos por volta desta data, escrevo uma crónica dedicada à hipocrisia sazonal e ao cumprimento de um certo calendário onde a bondade é um artefacto decorativo que se pendura em qualquer sítio que seja visível pelo vizinho do lado.

Este ano acontece mais cedo porque se não o fizesse teria que falar sobre o regresso da santa aliança que acabou de chumbar um orçamento municipal porque sim.

Teria que falar de como essa mesma santa aliança geriu a Câmara de Évora durante 8 anos (de 2005 a 2013) possibilitando uma desastrosa revisão do PDM e do Plano de Urbanização, de como aprovaram o PAEL com o seu cortejo de limitações à autonomia municipal, de como viabilizaram orçamentos municipais que foram paulatinamente conduzindo o município à asfixia financeira e ao brutal endividamento.

Não o devo fazer nesta altura e por isso mesmo, aproveitando o espírito natalício, vou desejar a toda a santa aliança um óptimo período festivo com muitos doces e prendas nos sapatinhos sempre em paz, muita paz.

Até para a semana