Boas causas por maus caminhos

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 12 Junho 2020
Boas causas por maus caminhos
  • Alberto Magalhães

 

 

É um daqueles mistérios para os quais é difícil descortinar solução. Que para cada justa luta, em prol da dignidade humana, tenha de haver gente tacanha, que logo a desvirtua.

Veja-se o movimento pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, agora transformado na luta pela igualdade de género, pressupondo que as diferenças entre homens e mulheres são meras construções sociais, destinadas a perpetuar o domínio masculino, e que, com um esforço de engenharia social, darão lugar à ausência de diferenças entre o masculino e o feminino, submetendo de uma vez a biologia e o patriarcado.

Veja-se agora o movimento contra o racismo, impulsionado pela morte de George Floyd nos EUA, mas que se vem espalhando por vários países europeus e africanos. A luta, obviamente justa, contra o preconceito e a discriminação racial, luta tremenda e de longo prazo, vem sendo sistematicamente desvirtuada, por saques de lojas, apelos à violência contra polícias e, agora, pelo movimento contra as estátuas de pretensos malfeitores históricos como Winston Churchill, Cristovão Colombo e, por cá, cúmulo da ignorância atrevida, até o Padre António Vieira, grande defensor dos índios brasileiros, anti-esclavagista (até onde se podia ser, no seu tempo) e, ao que se julga saber, neto de uma mulata.

Se a moda pega, poucas estátuas ficarão de pé nos países ocidentais. Ah! Parece que ainda existem milhões de escravos em África. Por exemplo, no Níger ou na Mauritânia. Mas esses não merecem apoio solidário. Os donos não são ocidentais.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com