Boas notícias da Europa

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 11 Dezembro 2020
Boas notícias da Europa
  • Alberto Magalhães

 

 

Hoje, teria de falar da vergonhosa conferência de imprensa de Eduardo Cabrita, o ministro da Administração Interna em fase de pré-demissão, teria de censurar o Presidente da República por só ontem se preocupar com a situação do SEF e teria de dizer a António Costa que manter Eduardo Cabrita em ministro é uma vergonha, para o Governo e para o país.

Digo ‘teria’ porque hoje, felizmente, uma notícia poderosa e feliz se impõe a todas as outras, sem excepção. O Conselho Europeu acaba de aprovar uma verdadeira bazuca, um Fundo de Recuperação de 1,8 biliões de euros (ou se quiserem, um milhão e oitocentos mil milhões de euros).

Mas esta notícia, já de si extraordinariamente importante para o futuro da União Europeia, encerra outra notícia não menos importante. A troco de uma declaração política “interpretativa” do mecanismo que liga a obtenção de fundos às regras de um Estado de direito, tirada da cartola pela senhora Merkel, os governos húngaro e polaco, puderam recuar sem perder a face, e submeterem-se à pressão dos 25 parceiros que se mantiveram unidos, ameaçando veladamente avançar sem os dois dissidentes, se acaso estes mantivessem a intenção de vetar o plano de recuperação.

António Costa bem pode festejar em Bruxelas o peso que sai de cima da já próxima presidência portuguesa. Mas não se esqueça que, cá dentro, tem um futuro ex-ministro para demitir.

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